214 - Quando o medo constrói muros

Quando o medo constroi muros
Cristina Oliveira

O medo faz parte da nossa existência. Pode nos proteger diante de perigos reais, mas também pode limitar nossas escolhas, nossas relações e as possibilidades que encontramos ao longo da vida.

Ilustração criada com auxílio de inteligência artificial, especialmente para este episódio.

Neste episódio, compartilho reflexões a partir do texto Murar o Medo, do escritor moçambicano Mia Couto, apresentado nas Conferências do Estoril, em 2011 e publicado na Revista Brasileira de Psicanálise em 2013.

O autor nos convida a pensar sobre os medos que aprendemos desde a infância, aqueles que incorporamos ao longo da vida e os que são construídos coletivamente.

Na saúde mental, o medo também pode se manifestar pelo autoestigma, quando passamos a acreditar nas limitações que o preconceito nos atribui. Mas nossas dificuldades não precisam definir todas as nossas possibilidades.

Vivemos tempos em que as incertezas sobre o amanhã podem nos levar a antecipar acontecimentos, imaginar o pior e, muitas vezes, escolher o silêncio. Deixamos de conversar, expressar opiniões ou participar de iniciativas por receio das consequências.

É compreensível que, em algumas circunstâncias, o silêncio seja uma forma de proteção. Mas quando se transforma em hábito, pode nos afastar de experiências, encontros e oportunidades de contribuir para mudanças.

Os muros a que Mia Couto se refere não são apenas os que separam territórios. São também aqueles que construímos nas relações e dentro de nós mesmos.

Sentir medo é natural. O desafio talvez seja reconhecer sua presença,
sem permitir que ele decida sozinho os rumos da nossa vida.

E fica a pergunta:
Quantos muros construímos para nos proteger e quantos deles, hoje, nos impedem de seguir em frente?

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